Escritório: Brasil
Clientes: Keyassociados – https://www.keyassociados.com.br/ e
Celesc – Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. – https://www.celesc.com.br/
Projeto: design como infraestrutura de transparência
Contexto
Em empresas estatais do setor de energia, o relatório de sustentabilidade não é peça institucional — é instrumento de prestação de contas. Ele precisa sustentar transparência, permitir leitura pública qualificada e mediar a relação entre dados técnicos, compromissos socioambientais e a sociedade diretamente impactada pela operação.
No caso da Celesc, o risco não estava na ausência de informação, mas na opacidade produzida pelo excesso de dados, pela linguagem técnica pouco acessível e por estruturas editoriais que informam sem necessariamente permitir compreensão. Um relatório pode cumprir exigências formais e, ainda assim, falhar em seu papel público se não organiza a leitura e não sustenta clareza.
O desafio era construir um documento capaz de articular rigor técnico, acesso ampliado e responsabilidade institucional. Não bastava relatar indicadores: era necessário tornar o conteúdo inteligível para públicos diversos — técnicos, gestores, órgãos de controle e sociedade — sem simplificar indevidamente nem diluir a complexidade própria do setor energético.
Decisão
A decisão central foi tratar o design editorial não como recurso estético, mas como mediação ativa de transparência pública. Em vez de “embelezar” dados ou cumprir formalidades gráficas, o projeto assumiu que a forma deveria organizar a leitura, orientar a compreensão e sustentar responsabilidade institucional.
Isso implicou recusar relatórios densos e opacos, nos quais a informação existe, mas não se torna inteligível. Optou-se por um sistema editorial capaz de hierarquizar conteúdos, tornar dados comparáveis e permitir navegação clara entre temas técnicos, compromissos socioambientais e resultados operacionais.
O formato bilíngue foi tratado como ampliação de acesso e não como tradução protocolar. Da mesma forma, a incorporação de ilustrações produzidas por crianças, a partir de um concurso de conscientização sobre o uso seguro da energia elétrica, foi assumida como escolha de linguagem: integrar educação, prevenção e responsabilidade social ao discurso institucional de sustentabilidade.
A forma foi definida como consequência direta dessa decisão — servir à clareza, à leitura pública qualificada e à confiança.
Atuação
A Pallavra conduziu a atuação a partir da organização da leitura pública do relatório, tratando design editorial, estrutura de conteúdo e escolhas gráficas como partes de um mesmo sistema de mediação. O foco não esteve na aparência, mas na forma como diferentes públicos acessam, compreendem e interpretam as informações apresentadas.
O trabalho envolveu a definição de uma arquitetura editorial capaz de hierarquizar dados técnicos, indicadores socioambientais e conteúdos institucionais, permitindo leitura progressiva e comparável ao longo do documento. A diagramação foi orientada por critérios de clareza, ritmo e legibilidade, sustentando leitura prolongada sem sobrecarga visual.
O formato bilíngue foi integrado à estrutura do relatório desde a concepção, garantindo equivalência de leitura entre os idiomas e evitando soluções de tradução fragmentadas ou hierarquicamente desiguais. As ilustrações produzidas por crianças, oriundas de um concurso de conscientização sobre o uso seguro da energia elétrica, foram incorporadas como elemento de linguagem — articulando educação, prevenção e responsabilidade social ao discurso institucional, sem funcionar como ornamento.
Cada escolha gráfica operou como decisão pública: organizar informação, reduzir opacidade e sustentar transparência. O design foi tratado como instrumento de leitura e confiança — não como recurso estético isolado.
Efeito
O resultado foi a consolidação de um relatório capaz de operar como instrumento efetivo de transparência pública. A organização da leitura, o formato bilíngue e a mediação gráfica dos dados ampliaram o acesso ao conteúdo e sustentaram compreensão qualificada por públicos diversos — técnicos, gestores, órgãos de controle e sociedade.
O efeito central não foi apenas melhorar a apresentação das informações, mas fortalecer governança e confiança institucional. Ao reduzir opacidade, hierarquizar dados e integrar dimensões técnicas, socioambientais e educativas, o relatório passou a cumprir seu papel público com mais clareza e responsabilidade.
Mais do que um documento de prestação formal, o relatório estabeleceu um critério de comunicação sustentável para a Celesc: design como mediação de leitura, acesso ampliado e compromisso contínuo com transparência e accountability.
Especificações
- 168 páginas
- Formato A4 (impresso)
- Formato PDF (digital)
Arquivo
